Go to Top

Políticas Públicas

O GEPPSVida tem mantido uma interlocução entre sua produção em pesquisa em prevenção e promoção de saúde no ciclo de vida e as políticas públicas relacionadas às suas temáticas de interesse, tais como as políticas que abordam a educação para a aposentadoria e a prevenção aos problemas decorrentes do abuso de drogas em adolescentes.

Esta interlocução tem sido operacionalizada por meio de capacitação de servidores públicos para a execução de programas de educação para aposentadoria (previstos na Política de Atenção à Saúde do Servidor) e avaliação do Programa Famílias Fortes, destinado à adolescentes e pais, cujo alvo é a prevenção ao abuso de drogas e promoção de competência social e vínculos familiares.


Avaliação da Efetividade, Qualidade de Implementação e Validade Social do Programa Fortalecendo Famílias (Fomento SENAD – TED 08129.014870/2015-16)

Resumo do projeto
O Programa Famílias Fortes (PFF) visa à prevenção do abuso de álcool e drogas em crianças e adolescentes. Foi adotado em 2013 pelo Ministério da Saúde (MS) e, nos últimos anos, vem sendo difundido para diversas regiões do Brasil, sob a gestão do MS e da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas. Este estudo tem por objetivo avaliar a efetividade do PFF, descrever a qualidade de sua implementação e avaliar sua validade social. Terá a duração de 3 anos e contará com um delineamento quase-experimental, com follow-up de seis e 12 meses. Participarão 2.335 crianças/adolescentes, dos quais 1.813 participarão de sete sessões do PFF (Condição Experimental) e 522 não receberão a intervenção (Condição Controle). Pais/ responsáveis, facilitadores, multiplicadores, formadores federais e supervisores serão convidados a participar de estratégias qualitativas de coleta de dados, incluindo entrevistas e grupos focais. O PFF será conduzido de modo intersetorial em equipamentos de proteção social básica, saúde, educação e outros afins, em sete encontros grupais, de duas horas de duração, sendo a primeira hora dedicada a grupos separados de crianças e pais ou responsáveis e a segunda hora, a encontros conjuntos para a família. Escalas aplicadas antes, imediatamente após, aos seis e aos doze meses após, avaliarão o padrão de consumo de drogas, comportamentos antissociais, gravidez precoce, abandono escolar, desempenho escolar (desfechos primários), vínculos familiares, práticas parentais, autoeficácia para aprendizagem, perspectiva de tempo futuro e engajamento escolar (desfechos secundários). Elementos do contexto influentes na implementação e o engajamento dos participantes serão avaliados por observadores externos durante a execução dos encontros. Entrevistas com pais desistentes serão feitas no decorrer do PFF. Após o último encontro, serão aplicadas entrevistas por telefone e uma escala junto aos facilitadores para avaliação da validade social do programa, fidelidade na implementação, bem como adaptações realizadas. Aos três meses pós-intervenção, entrevistas individuais com supervisores e grupos focais com facilitadores, multiplicadores, articuladores, formadores federais, gestores dos serviços locais e pais participantes serão realizados para se avaliar a validade social dos objetivos, atividades e efeitos do PFF. Entrevistas domiciliares com famílias da Condição Experimental e Condição Controle serão feitas antes, aos seis e aos doze meses pós-intervenção para se avaliar efeitos da intervenção sobre o fortalecimento de vínculos familiares. Para testar diferenças nos escores entre pré e pós-teste, serão utilizadas comparações de média, como testes t, ANOVAs e MANOVAs, tanto para medidas independentes quanto repetidas. ANCOVAs e MANCOVAs serão utilizadas sempre que se se mostrar relevante testar o efeito de covariantes. Os dados verbais e observacionais de natureza qualitativa serão analisados por meio de análise de conteúdo.

Autores: Sheila Giardini Murta, Larissa de Almeida Nobre Sandoval, Luís Gustavo do Amaral Vinha, Fábio Iglesias, Ana Aparecida Vilela Miranda, Viviane Paula Rocha e Adriano Silva Sampaio de Souza


Política de Atenção à Saúde do Servidor (PASS) – Curso a Distância “Educação para Aposentadoria: Promoção de Saúde e Desenvolvimento na Administração Pública Federal”

Educação para Aposentadoria: Promoção de Saúde e Desenvolvimento na Administração Pública Federal (2013-2015)

A Política de Atenção à Saúde e Segurança no Trabalho do Servidor Público Federal, implantada pelo Ministério do Planejamento, prevê a criação de Programas de Educação para Aposentadoria-PEA nos órgãos públicos federais. Para disseminar estes programas é necessário capacitar servidores para tal fim. Assim, o Ministério do Planejamento, em parceria com o Grupo de Estudos em Prevenção e Promoção de Saúde no Ciclo de Vida e o Centro de Educação à Distância da Universidade de Brasília, promoveu um curso a distância para capacitar 350 servidores (número total de vagas ofertadas) que atuam nas áreas de saúde e gestão de pessoas. O curso contou com uma carga horária de 120 horas, atendeu 15 turmas com cerca de 24 alunos cada. 332 alunos finalizaram o curso, dos quais 272 (81,93%) foram aprovados.

O curso fez uso da ferramenta Moodle de Aprendizagem. Foram utilizados recursos instrucionais (plataforma e ferramentas interativas) e humanos (coordenador, tutores e suporte técnico). O conteúdo programático incluiu os temas: desenvolvimento adulto e saúde no envelhecimento; fatores de risco e de proteção à qualidade de vida na aposentadoria; bases teóricas e planejamento de ações em PEA; formatos breves, intensivos e continuados; temas norteadores de ações continuadas: identidade, carreira, saúde, funções cognitivas, redes sociais, família, espiritualidade, lazer e projeto de vida; e pesquisa em PEA. Em cada módulo, foram realizadas tarefas para praticar o conhecimento e realizados fóruns com o intuito de fomentar a reflexão e a transferência da aprendizagem. Foi também avaliada a aplicação pelos alunos de uma intervenção breve para planejamento da aposentadoria nos órgãos onde trabalham. Os instrumentos adotados para a avaliação do curso compreenderam um questionário Pré-Teste para avaliar o domínio prévio dos cursistas sobre Programas de Educação para Aposentadoria, uma Escala de Reação do cursista sobre o curso e outra Escala de Reação do Tutor sobre o curso, sendo que a primeira foi aplicada logo ao início do curso e as duas últimas foram aplicadas ao final do curso. Em maio de 2015, seis meses após o término do curso, será aplicada a Escala de Avaliação de Impacto do Treinamento para averiguar se os cursistas têm aplicado o aprendizado obtido. Os resultados preliminares indicam a satisfação dos alunos com a metodologia, o conteúdo, o material e a troca de conhecimentos entre os alunos. Insatisfação foi relatada por alguns alunos quanto às restrições de acesso à rede de internet nos órgãos onde trabalham. Estima-se que a aquisição dessas competências favorecerá a construção de ações de preparação para aposentadoria previstas na Política de Atenção à Saúde do Servidor (PASS).

Resultado do estudo: figura síntese

Resultados do estudo: sumário executivo

Equipe: Sheila Giardini Murta, Cristineide Leandro-França e Juliana Seidl


Políticas Públicas sobre Drogas – Avaliação do Processo de Implementação e de Adaptação Cultural do Programa Fortalecendo Famílias (SFP 10-14): Fase Pré-Piloto (2013-2014)

Resumo

A adoção de políticas públicas efetivas para a prevenção ao abuso de drogas lícitas e ilícitas é urgente no Brasil. Programas de desenvolvimento de habilidades familiares para cuidadores e adolescentes apoiados em evidências de efetividade constituem uma das medidas preventivas cabíveis. A Coordenação de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas do Ministério da Saúde adotou para o Brasil no ano de 2013, em caráter experimental, o Programa Fortalecendo Famílias (SFP 10-14), focado no desenvolvimento de habilidades parentais, habilidades sociais de enfrentamento à pressão dos pares e resolução de problemas entre adolescentes e fortalecimento dos vínculos familiares. Este programa foi desenvolvido originalmente nos Estados Unidos e posteriormente adaptado para diversos países europeus. Deste modo, sua adequada implementação no Brasil requer adaptação cultural para se incrementar sua relevância, atratividade e clareza para nossas famílias e jovens. O estudo teve um triplo objetivo: avaliar a adequação cultural de materiais e atividades do Programa Fortalecendo Famílias para subsidiar sua adaptação cultural para o Brasil, avaliar o processo de implementação do Programa Fortalecendo Famílias e adaptar os instrumentos de avaliação de resultados para a língua portuguesa. O programa foi implementado em seis regiões administrativas do Distrito Federal, nos Centros de Orientação Socioeducativa, entre os meses de novembro e dezembro de 2013. Utilizou-se um delineamento transversal com avaliação por triangulação de métodos, com múltiplas medidas e múltiplos informantes. Participaram 93 pais/ responsáveis, 107 adolescentes, seis multiplicadores federais, 15 facilitadores vinculados aos Centros de Orientação Socioeducativa e Centros de Referência em

Assistência Social, cinco gestores do programa designados pelo Ministério da Saúde e dois desenvolvedores do Programa Fortalecendo Famílias, vinculados à Escola de Saúde e Assistência Social da Oxford Brookes University (Inglaterra). A coleta de dados deu-se antes, durante e ao final do programa, por meio de entrevistas, questionários, escalas, sentenças incompletas, observação direta e grupos nominais. Os resultados evidenciaram que o programa foi percebido como suficientemente relevante, atrativo e claro, na perspectiva de familiares, jovens, observadores externos e líderes de grupo.

Indicações para adaptação cultural de aspectos linguísticos e cenários dos vídeos e atividades foram feitas por familiares, jovens e líderes de grupo. Foram constatadas flutuações na fidelidade do programa, com omissões de procedimentos mais frequentemente ao início e ao final de sua implementação. Aspectos que influenciaram na fidelidade foram analfabetismo de parte dos participantes, tempo dispendido para avaliações de pré e pós-teste, ausência de planejamento em conjunto entre os líderes de grupo, ausência de preparação do material pelos líderes de grupo, tamanho do grupo, ausência de cuidadores para as crianças menores de dez anos, problemas no transporte e incompatibilidade entre os procedimentos da sessão e o perfil dos participantes. Por outro lado, o ambiente do COSE foi considerado facilitador na implementação do programa. Os líderes de grupo e observadores externos perceberam os jovens e seus familiares como responsivos ao programa, como bons níveis de participação, satisfação com os procedimentos e apreciação dos temas como relevantes para a própria vida. Foram também satisfatórios, mas com intensidade levemente menor, os indicadores apoio entre os participantes e entendimento dos temas abordados. Ademais, os pais/responsáveis e jovens relataram satisfação com o programa, principalmente com as aprendizagens vivenciadas e as atividades. Por outro lado, insatisfação foi relatada pelos pais/responsáveis quanto à curta duração do programa e trocas restritas entre os participantes. Os jovens, por sua vez, relataram insatisfação quanto a algumas das atividades do programa, como as percebidas como muito infantis. Os líderes de grupo demonstraram, por um lado, habilidades gerais de apoio às forças da família e empatia e, por outro, poucas habilidades para incremento à interação entre os membros dos grupos e, ocasionalmente, condutas não responsivas.

Quando entrevistados aos dois meses após o programa, os pais/responsáveis relataram fazer uso de conhecimentos e habilidades aprendidas no programa e perceber impacto do programa sobre a qualidade das interações na família, no próprio comportamento de comunicar-se com os filhos, regular as emoções e dispender tempo com os filhos e, por fim, no comportamento dos filhos, como no engajamento em tarefas de casa, obediência a regras e melhora no desempenho escolar. Aspectos pouco claros foram identificados nos instrumentos de avaliação de resultados e foram ajustados para maior compreensão. São feitas recomendações para sua aplicação em ocasiões posteriores. Conclui-se que o programa alcançou boa aceitabilidade entre os participantes e revela potencial de benefício às famílias e jovens brasileiros, o que justifica sua disseminação para novas regiões do País, tomados os cuidados quanto à adaptação de materiais e procedimentos, seleção das famílias, formação de líderes de grupos, planejamento das sessões e infraestrutura.

Fomento: Esta pesquisa foi realizada pela Universidade de Brasília (UnB) no âmbito do PRODOC K47 “Atenção Integral a crianças e jovens em situação de vulnerabilidade e risco para a violência e uso de álcool e outras drogas” firmado entre o Ministério da Saúde (Brasil) e Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC), Brasil, 2014.

Equipe: Sheila Giardini Murta, Larissa de Almeida Nobre Sandoval, Carlos Eduardo Paes Landim Ramos, Marina de Souza Pedralho e Thauana Nayara Gomes Tavares.